Sobre a beleza dos corpos no mundo corporativo

Por Marisa Gimenes e João Luiz Carneiro

Ilustrações e design de Pedro Machado


Bodyset e Body experience




Uma das abordagens centrais da Atma Genus em relação às dinâmicas individuais, de times e corporativas está nos quatro sets. Atmaset (a essência do ser), mindset (a mente humana), heartset (complexo afetivoemocional) e bodyset (o corpo propriamente dito) são distinções que possibilitam uma auto reflexão sobre onde mora ou está habitando no momento nossas motivações, crenças e ações. Meu corpo está pedindo algo? Ou são meus pensamentos que tem me consumido? Ter essa consciência é fundamental para compreender a si mesmo e como atuar no mundo.


Ao mesmo tempo, é importante frisar que o corpo e mente é uma extensão da outra e não dicotomias. A classificação em quatro sets portanto é didática e não tem a mínima intenção em segregar os elementos da consciência humana que só tem sentido se estiverem integradas.


Como esse texto visa observar o corpo, vamos dar maior ênfase ao bodyset. Aqui estão as questões biológicas, orgânicas que tornam meu corpo único e, quase que num paradoxo, com elementos comuns que permitem, inclusive, nos identificarmos como seres humanos.


Além disso, esse corpo é uma extensão da mente, o que nos leva a observar como nossos órgãos, nossos estados de ânimo e outras características corporais podem refletir, produzir ou bloquear padrões mentais e afetivos dos mais diferentes no nosso dia-a-dia. Isso sem deixar de registrar que o nosso corpo é percebido e influencia o meio também por lentes sociais e culturais.


Diante do exposto, o quanto você percebe ou, pelo menos, observa seu próprio corpo?


A partir da história e da memória que o seu corpo criou, as relações se dão no mundo e no meio corporativo, inclusive. Temos uma tendência de acreditar que o corpo é "apenas" o que está do nosso pescoço para baixo. Algo como eu e o meu corpo, sendo que o "eu" estaria representado na região do pescoço para cima.


Ainda nas experiências corporativas, quando estamos sentados atrás de mesas com computadores ou nas salas de reunião onde ficamos apenas com a parte peitoral "para cima" a mostra do campo visual para o outro, estamos reduzindo o outro a essa parte do corpo. Mas nosso corpo é todo ele e muito mais, seja cicatrizes, tatuagens, seja as pré-condições genéticas ou o quanto fiz uso ou não dele ao longo da vida. Olhar para a integralidade do corpo é conhecer o passado da pessoa, o estado atual dela e o futuro que pode ou quer emergir.


Urge entender o nosso bodyset e penetrar no body experience. Em um ambiente tão preocupado com o que sentimos, quais são as nossas crenças limitantes, como agimos no cotidiano do trabalho, onde está o corpo nessa história? E não é apenas sobre empresas que fornecem planos de saúde, dental ou academia para fazer exercícios. É sobre consciência corporal de forma ampla e profunda. Do corpo de colaboradores até o corpo de cada colaborador mora uma chave importante de saúde biopsicossocial.


Das várias nuances do corpo, vamos prosseguir nossa dança em forma de artigo falando sobre a beleza. Algo fundamental no mundo e que é reconhecido por ele, mas que faz convites potentes que muitas vezes passam despercebidos por nós.


Você tem um corpo belo? Você é um corpo belo?



Antes de entrar no ponto central desse momento da dança do artigo, vale lembrar que sobre questões mais sociais e até mesmo de preconceitos ao corpo belo, fizemos algumas considerações em outro artigo que você pode acessar no site da Atma se fizer sentido para ti.


Vamos retomar as duas frases. "Você tem um corpo" remete a um lugar de autopercepção. "Você ser um corpo" já é outra coisa. Não é mesmo?


O nosso corpo guarda um cem número de informações de todos os tipos. Aquelas que mais acessamos e utilizamos no nosso meio, costumam ser rapidamente acionadas e acionáveis. Neste lugar mora nossa zona de conforto, nossa segurança e também nossos vícios e gatilhos de complexos emocionais adquiridos e modelados ao longo do tempo. Aqui é onde revela a beleza do seu corpo. Não a que você imagina ou acredita que tem, mas aquela que você apresenta para si e para o seu entorno.


Entretanto, existem tantas outras informações que estão veladas no seu corpo, que mora no seu inconsciente individual e coletivo. E aí está outra beleza poderosa, aquela tão propalada beleza interior…


Sendo assim, as duas perguntas são chaves e igualmente importantes para compreender o nosso ponto de vista trazido até aqui. Quando você questiona se tem um corpo belo, a resposta remete ao que você mostra para si e para o mundo. Quando você coloca em xeque se você é um corpo belo, provoca a um olhar para sua essência.


Olhar, sentir e tocar a beleza do corpo que você é trata-se de um convite à sua essência.


Ou seja, entendemos a importância de criar belos times, belas companhias. Isso não pode ser desconsiderado ou ser colocado num lugar de menor relevância. A questão aqui é que esses movimentos só são fortes e perenes quando engatam a nossa força individual reconhecida e conscientizada do quão belos nós estarmos (aparente) e somos (imanentes).


A nossa beleza interior é a principal fonte energética da beleza que se apresenta ao mundo. Isso parece até óbvio, mas, com o passar do tempo, essas duas características ficam tão distantes que cria a imagem da filha que não reconhece mais a sua própria mãe.


Nesse contexto, existem duas ações conciliadoras que podem viabilizar essa integração: gerar curiosidade e criar intimidade.


A curiosidade, algo muito presente nos corpos infantis e que tem sido objeto de muitas conversas na Atma e com clientes da Atma, é a energia mais transformadora que pode ser produzida por um ser humano… Entender para experimentar o porquê da minha beleza interior, do meu melhor, não se manifestar totalmente no mundo começa com questionamentos de uma criança curiosa.


A criança curiosa não está tão direcionada em seguir padrões ou acordos pré-determinados. Ela está disposta a experimentar o mundo e a mola mestra é sua curiosidade. Precisamos ser mais crianças para encontrar nossa beleza interior e, ao mesmo tempo, não é sobre infantilizar corpos. Quando viramos adultos encapsulamos nossa capacidade de experimentarmos, julgando que isso seja algo que pertence ao mundo da criança e junto com esse julgamento diminuímos nossa conexão com nossa beleza interior. Trata-se de uma forma de evocar a memória do tempo de criança para gerar curiosidade.


A intimidade é uma palavra que chama o que está dentro, portanto cria os espaços de descoberta da realidade oculta. Ser íntimo de algo ou alguém é ocupar seus espaços com respeito ao que existe "lá" dentro.


O quanto possuímos espaços de intimidade conosco?


Isso pode ser pensado em nossas relações familiares. Além disso, pode ser exercitado no contexto de comunidades religiosas, círculos de amizades, enfim, quando trocamos com mais de uma pessoa, cabe a questão da intimidade também.


O quanto construímos espaços de intimidade com nossas equipes? Somos íntimos das empresas onde atuamos?


Tudo isso passa pela intimidade que conseguimos construir com nossa beleza interior e com as diversas belezas no meio onde vivemos e trabalhamos. Percebe?


Nesse momento que o convite em conhecer a nossa beleza vai para a essência do nosso ser, os corpos transformam-se em caminhos poderosos de realização. Realização pessoal, mas também realizar com qualidade nos desafios organizacionais.


Corpos como caminhos



Olhar para si não é um lugar de abertura ou flexibilidade. Exige atenção e reflexão profundas, concorda? Nessa dança silenciosa com você mesmo é necessário fechar seu corpo para esse processo.


Ao mesmo tempo, é impossível caminhar num mundo restrito de possibilidades quando você está genuinamente se entregando ao processo de descoberta da beleza interior e como manifestar isso no universo "exterior" ao corpo. Seguindo os ditos populares e a sabedoria ancestral brasileira, precisamos de "corpo fechado e caminhos abertos''.


O corpo fechado aqui representa na escolha das possibilidades em se construir um caminho de autoatualização… Usar o scanner do corpo para reconhecer suas vontades e "fechar" o corpo para esse propósito. Um corpo saudável, um corpo fechado pode apontar para novas possibilidades. Neste lugar, quanto mais caminhos abertos, melhor.


Esse dito se espelha e é totalmente aplicável na relação com as empresas. O corpo coletivo, que é uma organização, exige uma identidade, um senso de grupo e pertencimento. Neste lugar, a saúde e a segurança se instalam. A curiosidade e intimidade revela a beleza interior da empresa. A partir disso, podemos mostrar o que existe de melhor da cultura para o mundo. Este mundo precisa ter o máximo de caminhos abertos, afinal não se sabe o quão longe pode chegar a beleza interior de uma empresa e, muito menos, que meios ela precisa usar para emergir o futuro que aquele grupo clama.


Entretanto, curiosamente, tudo começa com a sua relação com o seu corpo. E nos diga com sinceridade…


Você é dono ou dona do seu corpo?


Qual o pedido do corpo tem sido feito para você?


Como você responde a essas provocações e como interage com seus colegas, líderes e, eventualmente, liderados faz toda a diferença no ângulo de consciência do seu lugar no mundo, ou - como preferimos dizer por aqui - do chamado que seu Atmaset clama para a sua felicidade.


Corpo que reage


Diante dessas provações sobre o corpo no blog e no podcast da Atma, temos recebido muitas mensagens sobre o impacto que essas ideias sobre o corpo têm causado. Relatos de muita força que, ao mesmo tempo, demonstram as cicatrizes que o corpo registra ao longo de várias histórias.


Nesse sentido, Marisa Gimenes fez um texto que tem tudo a ver com a temática do corpo e gostaríamos de encerrar esse texto com as palavras dela:


Eu como mulher, mãe e executiva, me encanto por todas essas possibilidades e oportunidades. Também sigo em um dilema: como posso cuidar de mim, dos meu sonhos, da minha sede por aprender e me sentir desafiada? Além disso, como cuidar do que realmente importa? Como definir o que importa com tantas oportunidades em todos estes âmbitos?


Quando penso nisso lembro quantas vezes queria estar cuidando da minha família e me sentia parada na barreira de ser executiva, antenada e demandada. Respiro... e me dou conta que estou a muitos anos presa nesse dilema. O tempo se torna findável. Respiro...


Coloco no meu corpo uma armadura implacável e muitas vezes assexuada. Quanta rigidez para mantê-la e conseguir o tão famoso momento de um reconhecimento pleno, em todos os âmbitos. Parece que corro essa maratona sem fim, achando que algum dia haverá uma chegada e uma recompensa. Para o que eu estou correndo? E por quê?


Respiro... A pergunta ecoa no meu ser e neste momento me entrego para um cansaço o qual nunca me permiti sentir. Respiro… Percebo que o ar mudou, a temperatura do meu corpo se alterou, sinto o calor da vida que existe em mim e nada é tão valioso.


Percebo que o lugar que tanto eu ambicionava já havia chegado. Agora reconheço minha inteligência, minhas perguntas provocativas, meu amor tocando e despertando, o gosto por cuidar do belo, por consequência da minha natureza.


Não importa quantos anos eu tenho ou de onde venho, quero apenas ser autêntica com o belo que surge, depois desta longa jornada.



INSCREVA-SE E RECEBA CONTEÚDO FRESQUINHO!

Obrigada pela inscrição!