Team Design: como funcionam os times?

Métodos e ferramentas de um Team Designer


Por Eduardo Afonso

João Luiz Carneiro

Ilustras e Design: Pedro Machado


Team designer as a trouble-makers and problem-solvers…


Assim, como todos os produtos e serviços ofertados pela Atma, o Team Design leva ao extremo sua proposta de questionar a realidade, revelando os problemas que realmente importam para os nossos clientes, e co-criando as soluções que só tem sentido para aquele time, naquele contexto e nas especificidades nas quais o desafio se apresente..


Ainda que as questões sejam sempre únicas e determinadas para o time, existem alguns questionamentos que são muito úteis para iniciar conversas poderosas. Uma delas é: como pensamos as possibilidades de enfrentar coletivamente os desafios?


O nosso treino corporativo nos estimula a jornada do herói. Somos recompensados e reconhecidos pelo que fazemos individualmente. Mas como colocar o foco no coletivo? Como pensar as questões organizacionais a partir da comunidade e não no ângulo exclusivamente individual, construído a partir da premissa de um líder salvador? Neste sentido, é interessante compreender como funcionam os times…





Como funcionam os times?


Os tão comentados e discutidos processos de time podem e devem ser repensados no contexto atual. O conceito clássico de processo prevê inputs e outputs. Entre as entradas e saídas estão as atividades transformadoras. Assim se constitui um processo. Correto?


Quando falamos de dinâmicas humanas, quantas entradas passam pelas mesmas tarefas transformadoras e geram saídas completamente diferentes? Isto não é ao acaso. Trata-se de contextos, ambiente, sistemas, crenças e dores que vão modelando o funcionamento do time e seus respectivos processos.

Sendo assim, seria melhor substituir processos por coreografias. Como assim? Uma coreografia é realizada por uma série de movimentos do grupo de dança. Entender as dinâmicas de time como movimentos de uma coreografia permite ampliar a visão do todo e entender melhor as dificuldades e dores que aquele grupo possui.


Muitos recortes estão presentes nas diversas coreografias de uma organização. Poderíamos citar, gênero, idade, segmento, indústria… Tudo isto precisa ser levado em conta para compreender a realidade do time e a coreografia que está sendo executada no seu cotidiano. Se a dança está bela, como cuidar da sua perpetuação. Se ela não agrada, como cuidar das relações para que o melhor possa emergir?


Quando a abordagem de team designer não é acionada para uma intervenção em um time que está experienciando problemas vários, a tendência é a pessoa pensar a realidade do time como processos e, naturalmente, resolver os problemas sempre pela ótica individual. São somas individuais que viram a meta do time.


E também tem outras questões… Quais os espaços de um time? Quando perguntamos isto, as respostas apontam quase de forma unânime que o único espaço parece ser a reunião ou comitê executivo da equipe... Mas será que não existem muitas outras possibilidades? Quais?


O Team Design nos mostra que nas interações estão todas as oportunidades do time se relacionar. Todas as interações são espaços de um time. Ao virar a chave para estes movimentos e coreografia, o time tem a oportunidade ímpar de experimentar uma aprendizagem verdadeiramente coletiva.


Aprendizagem coletiva


Um dos primeiros movimentos da aprendizagem coletiva está em identificar nossos vieses individuais e coletivos. Onde o que fazemos reforça o que continuaremos a fazer. O que rechaçamos por nossos valores e crenças individuais e o que o grupo evita ou julga como errado de forma velada. Não existe uma norma, uma política que declare isso, mas todo mundo sabe como funciona. Percebe?


Ao reconhecer as visões de mundo coletivas, podemos ajudar com muita potência a revelar e co-criar rituais e símbolos que realmente importam para aquele time. Isto faz toda a diferença, pois não é sobre o outro. É sobre eu e o outro no time que criamos e convivemos.


Portanto, acreditamos num processo de aprendizagem profunda de uma forma não tão convencional como são os treinamentos corporativos. Não é sobre treinamento, mas aprender o que emerge no grupo com o grupo… Observar as possibilidades e oportunidades que estão na frente das pessoas e simplesmente estão invisibilizadas. Mas elas estão lá, podem e devem fazer uma diferença radical na condução e coesão do time.


Uma destas ferramentas é o treinar enquanto faz! Como isto é importante para criar sentido no time. Em facilitações de time, costumamos apresentar teorias que são acionáveis, são testáveis. Eu tomo contato com aquela ideia e experimento na sequência. Este movimento ativa o bodyset, algo tão importante no conjunto de crenças da Atma e que faz muito sentido e tem dado grandes resultados em nossos clientes.


Uma vez que entendamos a coreografia do time e as oportunidades de aprender coletivamente, o próximo passo é construir um caminho que permita levar para dentro, o tão desejado "on the job learning". Neste momento, entram em cena novos caminhos de coerência e conexão profunda dos times a partir de Team Design.


Novos caminhos a partir do Team Design


Existem muitas ferramentas e abordagens que um team designer utiliza para atuar nos seus clientes. Uma destas ferramentas é o coaching.


Aqui cabe uma distinção interessante. O coaching individual num processo de team design permite trabalhar cada elo da corrente, cada indivíduo do time. A ideia é levar o coachee a realização no contexto do time e da empresa a qual ele está inserido. Outro ponto é o coaching para desenvolvimento da pessoa independente do time. São abordagens igualmente potentes, mas totalmente diferentes.


Fazer um coaching individual em team design aponta para a coreografia que citamos. Já o coaching para desenvolvimento pessoal é um aperfeiçoamento do dançarino independente da coreografia.


Um team coaching também pode ser usado pelo team designer. Neste caso, o foco está em aproveitar o encontro do coletivo para trabalhar um tema de desenvolvimento para o time. Outra abordagem de grande importância para estes movimentos é o design ontológico. A partir da ontologia é possível resgatar a originalidade do indivíduo e como usar suas luzes e sombras para que o coletivo se beneficie e este mesmo time favoreça o seu melhor desenvolvimento, criando um ciclo saudável e muito potente para todo o ecossistema que ele, indivíduo, está inserido.


Perceba que o Team Design usa um sem número de abordagens tendo como foco gerar conexões profundas entre os membros do time para provocar interações ousadas.


Mas ainda falta algo… No contexto corporativo existe uma camada da organização que tem um papel muito relevante na sustentação dos times. Trata-se, naturalmente, do C-Level.


E o C-Level nisso tudo?


Existe um movimento crescente nas grandes empresas de criar contexto e aporte nos times, tornando-os comunidade, tribo ou outro nome que remeta a quebra da lógica hierárquica para uma mais colaborativa. Diante deste cenário, quais os papéis de liderança e liderados no time? Como cada um assume o seu lugar nesta dança para a coreografia expressar o melhor de cada um e do todo?


Esta é uma reflexão que um team designer não tem a pretensão de responder sozinho, mas tem muitas ferramentas para conduzir as pessoas do time a obtê-las. Nesta caminhada sem respostas prontas, mas com muito método, é possível chegar em resultados coletivos incríveis.


Aqui cabe uma outra provocação. Lembra do bodyset que comentamos há pouco no texto? Como é importante tomar contato com o conceito e praticar rapidamente? Pois bem, vários C-Levels andam fomentando a cultura de comunidade. Mas quando será que eles próprios serão uma comunidade? O que vemos em muitas situações é um verdadeiro estímulo ao "faça o que digo, mas não faça o que faço". Quando o comprometimento realmente aparece, a jornada é vivenciada por todos e não apenas pelas partes. Isto é team design.



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